O QUE É ECONOMIA SOLIDÁRIA?

O termo economia solidária vem a reconhecer um campo muito rico de práticas socioeconômicas, tanto no que diz respeito às experiências históricas de organização da classe operária, quanto a um conjunto de experiências presentes atualmente na vida de milhares de trabalhadores e trabalhadoras. Falamos sobre reconhecimento, pois enquanto realizações práticas, muitas destas experiências se realizam na práxis do dia a dia, e muitas vezes não são identificadas como de economia solidária. Por sua vez, este conjunto de práticas e suas organizações vêm ao longo do tempo reivindicando tal reconhecimento, justamente por denotarem práticas socioeconômicas que possuem particularidades que re-afirmam a pluralidade da vida econômica e a existência de outros mundos possíveis e cada vez mais necessários.

 

Tratar o termo Economia Solidária como reconhecimento de uma prática, significa afirmar a existência de um sujeito social, com demandas particulares que necessitam de visibilização e reconhecimento em suas particularidades e diferenças. Economia Solidária não é, portanto, apenas um instrumento ou uma estratégia de geração de renda e trabalho de um determinado público, mas ela própria se reivindica como um direito. Por isso, não é o caso de oferecer renda e trabalho, mas de possibilitar que a renda e o trabalho sejam realizados a partir dos princípios da economia solidária. É reconhecer direitos destes sujeitos sociais. É reconhecer direito ao trabalho associado e autogestionário a partir de sua autenticidade e capacidade emancipatória.

 

Estas experiências estão presentes em todos os segmentos econômicos. O que as definem não são seus produtos ou situações de vulnerabilidades, mas a forma como organizam seus trabalhos e colocam em prática os princípios da cooperação, da autogestão e da solidariedade (dentre outros princípios que apontam para a superação de todos os tipos de dominação e exploração). 

Para uma definição conceitual podemos dizer que a Economia solidária se expressa a partir do trabalho associado, da socialização dos recursos produtivos e da adoção de critérios igualitários de distribuição e decisão, baseados na autogestão, na cooperação e na solidariedade.

Em termos práticos visualizamos essas experiências coletivas de trabalho e produção nos espaços rurais e urbanos, organizadas sob a forma de cooperativas, associações, grupos informais, clubes de troca, fábricas recuperadas (empresas autogestionárias), redes de cooperação, entre outras, que realizam atividades no campo da produção de bens, na agricultura familiar, na coleta seletiva e reciclagem, na prestação de serviços, nas finanças solidárias, no comércio justo e consumo solidário, dentre vários segmentos. Enquanto empreendimentos econômicos visam a uma atividade econômica, mas são perpassados pelos princípios solidários que os configuram como experiências de “outras economias”.  

Por vezes, passamos por estes empreendimentos e não nos damos conta de tudo que eles significam e podem representar na construção de um mundo mais justo e solidário. Estamos próximos, mas ao mesmo tempo tão distantes. 

Assim, o EnlaCES tem este objetivo de nos “relacionar”. De fazer com que dois pontos que estão próximos possam se conectar e se reconhecerem a partir de suas diferenças. E que de forma colaborativa fortaleçam um campo de prática tão rico e diverso, mas ainda tão pouco valorizado. 

Convidamos a todos/as a visitarem os grupos e verem como seus produtos se misturam com suas histórias, seus territórios, suas potências humanas e suas lutas. No “Acontecer solidário”, podem reconhecer estas práticas como um campo de sujeitos de direitos. Entrem em contato com os grupos. Visitem suas redes sociais. Comprem seus produtos e levem para casa pedaços de esperanças e de solidariedade.