Celebração do Dia Nacional da Consciência Negra no Quilombo do Bonfim
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- 31 de dez. de 2025
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O Quilombo Senhor do Bonfim, localizado no município de Areia, no Brejo paraibano, realizou no último dia 20 de novembro uma celebração marcada por memória, resistência e fortalecimento comunitário. A data, que homenageia a luta de Zumbi dos Palmares e o Dia da Consciência Negra, reuniu moradores, lideranças, instituições públicas e parceiros em uma programação com rodas de conversa, apresentações culturais e momentos de reafirmação da identidade quilombola.
Reconhecido como o primeiro território quilombola regularizado na Paraíba, o Senhor do Bonfim possui cerca de 122 hectares demarcados após processo conduzido pelo INCRA. A concessão da posse oficial, em 2011, garantiu um direito histórico a famílias que habitam a região há gerações, muitas delas com vínculos locais que ultrapassam nove décadas. A regularização fundiária permitiu avanços essenciais, fortalecendo práticas tradicionais, ampliando a autonomia das famílias e consolidando a organização coletiva do território.
A agricultura familiar permanece como a principal base econômica da comunidade. O cultivo de mandioca, batata-doce, hortaliças e frutas como banana, laranja e abacaxi evidencia a relação profunda com a terra e os saberes de manejo sustentável. Parte da produção é comercializada localmente, enquanto outra integra programas de alimentação escolar, reforçando o papel da agricultura familiar e agroecológica na promoção da segurança alimentar. Esse cuidado com o território garante continuidade aos conhecimentos ancestrais e contribui para a autonomia econômica local.
Nos últimos anos, melhorias importantes também foram realizadas na infraestrutura. Em fevereiro de 2025, dezoito famílias receberam novas moradias construídas com recursos do Crédito Instalação do INCRA. As casas, erguidas em alvenaria e planejadas para atender às demandas das famílias, simbolizam dignidade e permanência no território. A iniciativa evidencia a relevância das políticas públicas para garantir o direito à terra e fortalecer comunidades tradicionais.
A celebração deste ano também destacou a valorização da cultura e da memória coletiva, reunindo representantes de vários quilombos, coletivos culturais e instituições parceiras. A presença desses grupos reforçou a importância das redes de apoio e da articulação comunitária na defesa dos direitos quilombolas. Foi lembrada, ainda, a atuação da INCUBES/UFPB junto ao grupo de mulheres da comunidade, incluindo a criação da logomarca do coletivo feminino — ação que fortaleceu a identidade e a organização interna das mulheres do Bonfim.
Os relatos compartilhados ao longo do encontro ressaltaram o protagonismo das mulheres quilombolas na preservação das tradições, o valor da ancestralidade como fonte de resistência e a necessidade de visibilidade contínua para os territórios tradicionais. Para seus moradores, o Quilombo do Bonfim é mais que um espaço físico: é um território vivo de luta, memória e continuidade de práticas que honram gerações.
Mais do que uma comemoração, o encontro representou um ato de resistência e de afirmação identitária. O Quilombo Senhor do Bonfim segue construindo, com dignidade e autonomia, a continuidade de suas tradições e o futuro de seu território.










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